Responsável: Paula Faustino
Financiamento e data: Comissão de Fomento da Investigação em Cuidados de Saúde e INSA, 2007-2008
Introdução:
A Hemocromatose Hereditária (HH) é uma doença autossómica recessiva comum em Caucasianos, caracterizada por uma absorção aumentada de ferro a nível intestinal e sua consequente acumulação em vários órgãos, provocando aí sérios danos, tais como: cirrose hepática, carcinoma hepatocelular, cardiomiopatias, diabetes ou outros problemas a nível endócrino. O gene HFE é o principal gene associado à patologia, sendo que no Norte da Europa, cerca de 80% dos doentes com HH são homozigóticos para a mutação C282Y. Uma segunda mutação neste gene, a H63D, tem também sido implicada no desenvolvimento da doença, sobretudo quando em heterozigotia composta com a anterior (HH tipo I; OMIM 235200). Pelo contrário, nos países do Sul da Europa uma elevada proporção de indivíduos (35-45%) com fenótipo de HH não apresenta os genótipos acima referidos. Nestes casos de HH, sem presença das mutações comuns no gene HFE e sem causa identificável de hemocromatose secundária, poderão estar envolvidas mutações raras no gene HFE ou em outros genes, nomeadamente: i) o gene do Receptor 2 da Transferrina (TFR2), associado à Hemocromatose do tipo 3, caracterizada por sintomas clínicos semelhantes aos da HH clássica do tipo I; ii) os genes da Hemojuvelina (HJV) e da Hepcidina (HAMP), associados à Hemocromatose tipo 2, também chamada de Hemocromatose Juvenil, onde a sobrecarga em ferro ocorre a um ritmo mais acelerado e onde os indivíduos se apresentam com cardiomiopatia, e/ou hipogonadismo hipogonadotrófico ainda enquanto jovens; iii) o gene da ferroportina, SLC40A1, associado à hemocromatose do tipo 4 onde um quadro de hiperferritinémia é transmitido de forma autossómica dominante.
Objectivos e Resultados esperados:
A proposta central deste trabalho é a realização de pesquisa e caracterização de mutações raras no gene HFE e de mutações nos genes TFR2, HAMP, HJV e SLC40A1 num grupo de indivíduos portugueses com fenótipo sugestivo de hemocromatose e que não possuem as mutações comuns no gene HFE. Temos também como objectivo caracterizar os tipos de HH na população portuguesa, avaliar o impacto de mutações nestes genes na HH presente na nossa população e contribuir para o conhecimento do seu papel como factores moduladores do fenótipo e da penetrância desta patologia.