Responsável: Mafalda Bourbon
Financiamento e data: Comissão de Fomento para os Cuidados em Saúde (2007-2008)
Introdução: A doença cardiovascular é a maior causa de mortalidade dos países industrializados incluindo Portugal. Alguns factores de risco para esta doença são a hipertensão, a diabetes e a dislipidemia. Algumas dislipidémias têm origem genética, nomeadamente a hipercolesterolemia familiar (FH), a deficiência familiar em LPL e a hipobetalipoproteinemia. A FH é caracterizada por níveis elevados de colesterol total e das LDL, acima do percentil 95% para o sexo e a idade, com valores de colesterol das lipoproteínas de alta densidade e de trigliceridos dentro da normalidade e uma história familiar de hipercolesterolemia e de doença cardiovascular prematura. A FH é causada maioritariamente por mutações no gene LDLR mas mutações missenses nos genes APOB e PCSK9 também causam o mesmo fenótipo. Doentes com valores muito elevados de trigliceridos podem ter mutações no gene que codifica para a lipoproteína lipase (LPL), enzima importante para a hidrolise dos trigliceridos. Estes doentes apresentam grave risco de pancreatite e elevado risco cardiovascular. A hipobetalipoproteinemia é devido a mutações stop no gene da APOB e doentes com estas mutações apresentam valores muito baixos de colesterol total e LDL devido a não produzirem lipoproteínas contendo ApoB. Estes doentes apresentam uma absorção de lípidos defectiva e podem apresentar neuropatia e degeneração da retina.
Objectivos: Caracterização molecular de doentes com dislipidemias genéticas raras.
Material e Métodos: Fragmentos dos genes em estudo serão amplificados por PCR e analisados por dHPLC e/ou sequenciação automática. Um relatório será elaborado para o médico assistente para que o doente possa receber aconselhamento e tratamento adequado.
Resultados esperados: O conhecimento da base molecular destas patologias permite um diagnóstico correcto das mesmas, fundamentando a instituição de terapêutica farmacológica adequada. O diagnóstico molecular possibilita também a identificação precoce de familiares, permitindo a sua orientação terapêutica e consequente redução do risco de morbilidade e mortalidade cardiovascular.