Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
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11-01-2012 

 Fumo de tabaco coloca trabalhadores e clientes em risco 

Fumo de tabaco coloca trabalhadores e clientes em risco 
 

Lisboa, 10 de Janeiro de 2012 – Resultado de estudo realizado em espaços de lazer na grande Lisboa revela que a atual lei do tabaco (nº37/2007) não protege os trabalhadores e clientes da exposição a níveis perigosos de contaminantes do fumo de tabaco.

O estudo que será publicado no Journal of Toxicology and Environmental Health foi desenvolvido pelos Departamentos de Genética e de Saúde Ambiental do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e, de acordo com as medições efetuadas, revela que as medições efetuadas indicam que as áreas de restaurantes em que se pode fumar estão altamente contaminadas com partículas finas (PM 2,5), um marcador de contaminação por fumo de tabaco ambiental que é tanto maior quanto maior for o número de fumadores nesses locais. Os níveis de PM2,5 medidos são considerados perigosos pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA. Ainda, os empregados não fumadores, expostos nessas áreas, revelaram níveis significativamente mais elevados de cotinina na urina, uma substância resultante da degradação da nicotina no organismo. Recorde-se que atual lei “aprova normas para proteção dos cidadãos da exposição involuntária ao fumo do tabaco” e que as mesmas estão em vigor desde 2007. Ainda assim, verificou-se a exposição efetiva à nicotina e o mesmo acontecerá com outros contaminantes perigosos do fumo do tabaco.

As conclusões do estudo, coordenado pelas investigadoras Tânia Simões e Deborah Penque do INSA, revelam que as alterações previstas na atual lei, nomeadamente o reforço dos sistemas de ventilação, não garantem a proteção dos trabalhadores contra o fumo do tabaco. Sugerem, assim, a revisão urgente da legislação no sentido da proibição total do ato de fumar em espaços públicos. À semelhança do que aconteceu noutros países, esta medida revelou ser a única forma de proteger a saúde dos trabalhadores e clientes, melhorando efetivamente a qualidade do ar nestes espaços. 

A próxima investigação desta equipa será avaliar, nos trabalhadores dos restaurantes em que se pode fumar, eventuais danos biológicos ao nível do genoma e/ou proteoma como resultantes da exposição passiva ao fumo do tabaco.

 Artigo a Publicar - “Occupational exposure to environmental tobacco smoke: a study in Lisbon restaurants” por Pacheco S, Aguiar F, Ruivo P, Proença MC, Sekera M, Penque D & Simões T - no Journal of Toxicology and Environmental Health. (Estudo foi co-financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e Administração Central do Sistema de Saúde com a colaboração do Laboratório de Análises de  Dopagem do Instituto do Desporto de Portugal e a cooperação voluntária de proprietários e trabalhadores dos espaços de lazer estudados).

Sobre o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, IP (INSA), laboratório de Estado no sector da saúde, laboratório de referência nacional e observatório nacional de saúde, é composto por 6 Departamentos que actuam em diferentes áreas. A sua missão visa contribuir, quer no âmbito laboratorial quer em assistência diferenciada, para ganhos em saúde pública, através da investigação e desenvolvimento tecnológico, investigação epidemiológica, incluindo a prevenção de doenças genéticas.

O Departamento de Saúde Ambiental (DSA) desenvolve atividades nas áreas de qualidade do ar e saúde ocupacional e água e solos, compreendendo, entre as suas funções, o estudo e investigação da Saúde Humana e fatores de risco de natureza ambiental e ocupacional que a afetam, numa perspetiva preventiva relativamente à exposição a esses mesmos fatores de risco, em estreita articulação com todos os Serviços de Saúde.

O Departamento de Genética (DG) integra os laboratórios de Lisboa, o Centro de Genética Humana e o Instituto de Genética Médica Jacinto de Magalhães, no Porto, e o Centro de Estudos de Paramiloidose.

O DG desenvolve as suas actividades nos domínios das Doenças genéticas, Genómica funcional e Genotoxicidade ambiental, tendo em vista a melhoria dos conhecimentos e a obtenção de evidência para a decisão em saúde.

Na concretização das suas actividades, o DG aplica metodologias de epidemiologia genética, genética médica, bioquímica e biologia molecular e celular, sendo utilizadas de forma integrada por pessoal científico e técnico especializado, que integram equipas multidisciplinares dedicadas à investigação e desenvolvimento ou à prestação de serviços de genética médica e de genética laboratorial.

Press Release (PDF-115Kb)

Para mais informações contactar:

Ana Morais
Assessora de Comunicação
@ ana.morais@insa.min-saude.pt
T: 916115598